1. INTRODUÇÃO
O presente estudo
busca investigar o trato da sistematização da Educação Física como área de
conhecimento no século XX no Brasil, no entanto sabe-se que essa
sistematização advêm de período e
acontecimentos ligados a épocas anteriores, e as vezes esta marcado por grandes
acontecimentos de proporções mundial. E foi assim com a construção do
pensamento sobre o corpo, esta ligado e foi marcado pela revolução industrial e
francesa, sendo que, estes dois grande acontecimento mudaram para sempre toda a
sociedade bem como as atividades nela realizada.
Entende-se que a revolução Industrial era um novo modo de produzira a
vida, tendo como foco o lucro ou a
acumulação de riquezas e a Francesa a educação para as massas, assim com a
Revolução Industrial houve grandes produções através das maquinas e da enorme
exploração da classe proletariado, aliado a educação que os dominassem ditaram
o tom do desenvolvimento.
Somado a
esses acontecimentos tem-se o avanço científico com sua consolidação através dos
métodos de estudos sistematizados. Com isso toda a atividade humana dessa época
em diante vai se utilizar da sistematização para se inserir nessa forma
emergente de se organizar e fazer funcionar a sociedade em toda a sua
plenitude.
E para registro maciço dessa sistematização
crescente e dominante tem-se a criação da imprensa, logo toda a pratica social
é transformada em teoria, multiplicando bibliografias de todo tipo e área de
conhecimento.
Agora todas as discussões poderiam ser registradas
em grandes escalas, acessadas por muitos, rediscutida e reformulada. Dentre
esses inúmeros objetos de debate tem-se a Educação Física que recebe esse nome
pela primeira vez com John Locke, na sua obra: Pensamentos sobre a educação
(1693).
Nessa efervescência com o homem no centro das
atenções o corpo volta a ser valorizado bem como suas realizações.
Influenciados pelas questões científicas, o trato do
corpo ganha também cuidados metodológicos trazendo assim a sistematização
das atividades corporais, as ginásticas europeia de bases biológicas, bem como a
criação e disseminação do esporte moderno pela Inglaterra com ênfase no alto
rendimento.
A Inglaterra e a França países hegemônicos da época
ditam o tom e o ritmo da economia, política e da sociedade em geral. Procura-se assim, mercados de consumo para as
mega produções industriais bem como a construção de um novo homem, capacitado
integralmente para nova ordem emergente, onde seus ideais se disseminam por
todos os países do mundo.
O Brasil sendo colônia de Portugal absorve
passivamente todos os ideais desse momento.
Instalam-se na nação os modelos ginásticos de bases biológicas,
sendo que, durante muito tempo prevalece o adestramento físico. Todos esses
acontecimentos como já foram supracitados, dão ao mundo e as questões sociais
uma nova forma, característica e dinâmica; obrigando todos os setores e
atividades a se reorganizarem e consequentemente a Educação Física, isto é, a
sistematiza-se. Do século XVII ao XX a Educação Física obteve um avanço, que
pode ser expressa; utilizando essa frase: “foi do senso comum á consciência
filosófica”. SAVIANI (2003).
Após sua primeira síntese, introduzir-se no Brasil apresentando-se
bem definida, trazendo a nomenclatura de Educação Física, com o propósito de
condicionar o corpo e estabelecer a ordem social e a saúde do povo, através dos
métodos ginásticos franceses, alemão e suecos. Para realização de tal feito ela
adentra as unidades escolares, com isso, ao fazer parte desse novo contexto
escolar, em transformação, sofre novas interferências precisando se ré-sistematizar, ou seja, transforma-se em ações pedagógicas em conformidade
com a ideologia livresca e intelectual.
Conhecer
profundamente este objeto, bem como toda problemática, a ele ligado, assim como:
todo seu processo de transformação, é indispensável para uma práxis eficiente e
eficaz.
Pensando nisso elabora-se o seguinte problema: Como
se deu o processo de sistematização da Educação Física como área de
conhecimento no século XX no Brasil?
Com isso pretende-se explicar: o que levou a
sistematização da Educação Física como área de conhecimento no século XX no
Brasil? Analisar como foi pensado o corpo em alguns períodos distintos da
historia, identificar e reconhecer as tendências citadas por Lino Castellani
Filho em seu livro: EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL, A HISTÓRIA QUE NÃO SE CONTA.
Ao iniciar esses estudos notaram-se as seguintes relevâncias
para a elaboração dessa monografia: são poucas as obras que tratam sobre a
temática, pela necessidade de aprofundamento nas questões relacionadas à
Educação Física, pela função social da faculdade que é a construção de
conhecimentos científicos, pelo desejo de se conhecer a realidade objetiva da
Educação Física como área de conhecimento, pela possibilidade de se transformar
a realidade com o novo conhecimento e finalmente pelo desejo maior de descobrir
algo mais avançado sobre a sistematização da Educação Física como área de
conhecimento.
Para a efetivação de tamanho trato, fez-se uso
dos princípios da pesquisa qualitativa utilizando uso
das técnicas da pesquisa bibliográfica, bem como, da analise e seleção dos
textos mais adequados, para fundamentação da obra prevista.
No que tange à técnica da pesquisa: A metodologia empregada foi de natureza
bibliográfica qualitativa. Sendo uma combinação entre explicativa e descritiva.
Tendo como passo inicial a leitura exploratória, seguida de uma leitura
seletiva, tentando encontrar material importante para exame, eliminando os
possíveis supérfluos.
Após todos esses cuidados
passou-se a coleta de dados. Onde se baseou em coletas extremamente relevante,
as informações foram organizadas, avaliadas e depois comentadas.
Onde se falou de
algumas tendências e teorias educacionais encontradas nos textos que apontaram
a sistematização da Educação Física como área de conhecimento. (LAKATOS; MARCONI, 2002).
Para realizar a análise dos dados
levantados na pesquisa bibliográfica, fez-se uso também, da técnica de análise
de conteúdo, que se caracteriza como:
Um conjunto de técnicas de análises de comunicações,
visando, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo
das mensagens, obter indicadores quantitativos ou não, que permitam a
interferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção
(variáveis inferidas) das mensagens (BARDIN, 1987 apud TRIVIÑOS, 1987, p. 160).
Segundo
Triviños (1987, p. 161) as três etapas básicas no trabalho com analise de
conteúdo, são elas:
1.
Pré-analise - é a fase onde organizamos e fizemos a leitura (flutuante)
do material que foi objeto de estudo, para constituir o corpus da
investigação (os livros pesquisados), que é a especificidade do campo no qual
fixamos a nossa atenção;
2.
Descrição analítica – se inicia já na pré-análise, mas nessa etapa,
as literaturas utilizadas, que tratam da sistematização da educação física, corpus
de investigação, foram submetidos a um
estudo mais aprofundado, orientado em princípio pelo referencial teórico. Nessa fase foram
construídos corpos de referências com os dados retirados das obras analisadas, a partir do processo de
categorização;
3.
Interpretação referencial – nesta fase apoiado em nosso
referencial teórico, bem como nos corpos de referencias construídos na fase de
descrição analítica nos aprofundando na nossa análise ao conteúdo latente
das bibliografias que tratam da sistematização da educação física como área de
conhecimento.
A
sistematização da Educação Física como área de conhecimento no século XX no
Brasil, fato que pode ser entendido sobre inúmeras, perspectivas, abordagem,
logicas e outras tantas formas de se organizar o pensamento. Mas vai-se abordar
o assunto seguindo a orientação também de TRIVIÑOS (1987, p. 65.66.) no tocante
ao estudo de cada assunto como objeto dizendo que:
A simples vistas, os objetos, as coisas e os fenômenos se
distinguem entre si pela sua qualidade, isto é, pelo
conjunto de propriedades que os caracterizam. Desta maneira, a qualidade
representa o que o objeto é e não outra coisa. A distinção da qualidade do
objeto, isto é, do objeto entre outros objetos, é a primeira fase do
conhecimento do objeto. Isto quer dizer que o objeto se nos apresenta e os
separamos dos outros objetos pelo conjunto de suas propriedades.
Pelo que identificar um objeto,
separa-lo dos demais é um principio básico quando se pretende sistematizar,
ficando isso claro durante o processo de sistematização da educação física,
Então iniciando a discussão do assunto; se terá o entendimento de que tanto a
sistematização quanto a sistematização da Educação Física são objetos
distintos, mas que se relacionam.
Logo se percebe que essa colocação
de TRIVIÑOS (1987) esta intimamente ligada à sistematização, entendendo-se que,
separar elementos e acontecimento será fundamental para estudo da temática
escolhida, durante todo o processo de investigação.
E para melhor explanação
e compreensão do assunto escolhido se distribui tal estudo nos seguintes
capítulos:
Introdução
Fundamentação e conceitos indispensáveis
Acontecimentos históricos sociais
Bases biológicas na Europa
Bases biológica no Brasil
Sistematizar para adestrar o físico
Esportivização
Bases antropológicas sociais: processo
de mudança
Tendências e teorias educacionais
Teoria crítica superadora
As discussões aprofundadas nas
áreas acadêmicas e um capítulo de Considerações finais, sendo que neste
encontra-se: um apanhado geral epistemológico, a afirmação da utilização de
conhecimento de outras área, apresentação da lógica desenvolvida para construir
o pensamento sobre a sistematização da Educação Física, o entendimento da Educação
Física como objeto distinto, estabelecimento de conceitos e definições sobre a
sistematização, apresentação de marcos históricos e sociais, apresentação de
uma evolução sistemática que vai desde uma organização de uma simples
atividades a muitas teorias educacionais e entendimentos.
FUNDAMENTAÇÃO E CONCEITOS INDISPENSÁVEIS
Para
se começar a escrever sobre algo se faz necessário optar por um ponto de
partida sendo o pensamento que vem a seguir bem adequado para se adentrar nas
questões proposta por esse tratado.
DAOLIO
(2007, p. 1)
Depois
do predomínio das ciências biológicas nas explicações sobre o corpo, a
atividade física e o esporte por parte da educação física, essa tarefa parece
está dividida com os conhecimentos provindos de outras áreas, tais como a
antropologia social, a sociologia, a historia, a ciência a politica e outras.
E
dentre essas outras área de conhecimento que foram utilizadas para formar o
corpo teórico da Educação Física, se tem a administração, mas, a administração
chamada científica (Taylor) oriunda dos processos históricos sociais, que teve
como acontecimento desencadeador a revolução industrial aliada ao avanço científico. Na revolução industrial houve um crescimento rápido e desordenado
de empresas, uma multiplicação absurda de produção, onde não cabia mais o empirismo
e o improviso costume das ações artesanais.
Para
realizar uma produção dessa magnitude todos os setores das fábricas teriam que
ser sistematizados, cada operário teria que ter função bem definida. A
sistematização de todos os departamentos, divisão do trabalho braçal do
intelectual, e divisão em serie da produção (Ford), e uma vez isso aplicado,
deu certo, evitando prejuízo e aumentando o lucro, dai com a obtenção desse
sucesso o ato de sistematizar foi transferido para o restante da sociedade,
empregada em inúmeros outros seguimentos e áreas de conhecimento e consequentemente
para o trato com o corpo, a Educação Física. Então afirmar que a educação
física saiu de uma assistematização para uma sistematização graças a
apropriação desse conhecimento é aceitável na área, e, demonstrar como se deu
esse processo de sistematização se tornou quase uma obrigação.
Mas, o que é sistematização? Para responder
esse problema traz-se: Fumagalll et al. (2000, p.7) onde se aborda a seguinte
indagação (O que é sistematização? Uma pergunta
diversas repostas) Explicação essa necessária para um entendimento mínimo
da relação: sistematização e Educação Física, pois é preciso clareza, visto que a temática
estudada se relaciona com muitas outras
de difícil compreensão. E:
Um andarilho que
caminha por um bosque sem olhar para trás, sem enxergar o quanto já caminhou e
o que ainda lhe resta pela frente. Que não olha para baixo, a fim de
escolhermos melhores caminhos e desviar seus pés de possíveis pedras, buracos
etc.
Que
não contempla a natureza lhe cercando e acompanhando. Que não fixa seu olhar no
firmamento e percebe a sua infinita dimensão. Que não sente seus pés pisando na
firmeza da terra. Um andarilho que não sente o cheiro do mato, das flores e
plantas; que não escuta o cantar dos pássaros; que, em sua pressa para atingir
o fim da caminhada, não se permite um descanso.
Certamente
esse andarilho apenas caminhou, perdeu a oportunidade de viver a sua caminhada.
Suas pegadas apagar-se-ão no primeiro sopro da natureza. E, se algum dia vaguear
sua memória em busca de recordações, terá poucas lembranças. Talvez, desta
caminhada, lembre-se apenas de que foi cansativa.
A
sistematização, entre tantas definições, é uma postura metodológica que
contribui para atribuirmos significado às “caminhadas”. Ela pode nos tornar
sujeitos de nossas andanças e projetar os nossos passos para além de nós
mesmos.
Na caminhada, ela ajuda a aguçar os sentidos e
mostrar que ainda estamos vivos e que precisamos viver. Enfim, ela pode nos
tornar autênticos andarilhos. Com esse caderno, “O que é Sistematização? Uma
pergunta. Diversas Respostas” desejamos introduzir e estimular reflexões acerca
do que vem a ser a sistematização, sua importância
e
seu significado para o nosso fazer político-administrativo.
Apesar de a pergunta ser uma, as respostas são
diversas, incompletas e não definitivas. Ao utilizarmos esse material, devemos
faze-lo sem a pretensão de chegar ao seu final com um conceito claro e acabado
sobre o que seja a sistematização. Assumir a complexidade da sistematização e
seu caráter inconcluso, assim como continuar refletindo e praticando-a com
destemor e sem ingenuidade, já é o suficiente... (p.7)
Com a ilustração acima e a ligeira
explicação do que é sistematização, entendendo-o como um ato racional,
prossegue-se com o aprofundamento sobre sistematização, para laçar os
fundamentos necessários para a compreensão da sistematização e depois o
entendimento da sistematização da Educação Física como área de conhecimento no
século XX no Brasil. Para este mesmo autor, a sistematização, entre tantas
definições é:
“Neste sentido, ao iniciarmos a
discussão sobre a sistematização, vimos não mais que estimular reflexões acerca
do que vem a ser a sistematização, sua importância e seu significado para o
nosso fazer político-administrativo. Assim, não pretendemos esgotar um conceito
sobre sistematização ou vir aqui a dar conta de sua complexidade”.
E para reforçar o aprendizado se
apresentará alguns significados de sistematização bem como algumas palavras
ligadas a este ato moderno, de dicionários da nossa língua portuguesa. Então
segundo LUFT, (1999, p. 610).
Sistematizar
é reduzir a sistema, sistema por sua vez é:
1.
Conjunto de elementos inter-relacionados em vista de uma finalidade 2.
Estrutura 3. Ordem, método, 4. Corpo doutrinário, 5. Teoria, 6. Forma de
governo, 7. Modo, costumes, habito, práxis...
E segundo: XIMENES
(2000, p.864) sistema é:
1.
Conjunto de elementos que guardam entre si alguma ligação 2. Disposição dos
elementos que formam um todo organizado. 3. Método plano. 4. Técnica empregada
para um determinado fim. 5. Modo maneira. 6. Forma de governo de organização
social. 7. Habito particular, costume. 8. Corpo doutrinário. (taxionomia).
E Grande (1943, p 1885) numa obra
mais antiga, em seu dicionário da língua portuguesa:
Sistema
é um conjunto de partes coordenado entre si; corpo de doutrina; conjunto de
partes similares; forma de governos ou constituição política ou social de um
estado; combinação de partes de modo que concorram para um certo resultado;
conjunto de leis ou princípios que regulam certa ordem de fenômenos;
Logo baseado no que foi apresentado tem-se: o
sistematizar como o ato de identificar elementos que possui estreita ligação e
uma mesma finalidade, estrutura, ordem apresentando um todo harmônico, esse
todo pode ser: um corpo, um método, uma teoria, uma doutrina em fim algo
distinto, sendo que essas conclusões baseiam-se nos significados trazidos pelo
dicionário da língua portuguesa. Mas buscando maior compreensão recorre-se a
mais explicações de:
Fumagalll et al. (2000, p.10)
“A
sistematização é um conceito que vem sendo cunhado para designar uma forma
metodológica de elaboração do conhecimento. Assim, sistematização é mais do que
organização de dados, é um conjunto de práticas e conceitos que propiciam a
reflexão e a reelaboração do pensamento, a partir do conhecimento da realidade”...
(Revista da Escola Centro Oeste).
Agora após analisar o
apresentado por (FUMAGALLL
et al. 2000) conclui-se que o entendimento sobre a sistematização pode ser
apreciado como forma
metodológica de construção de conhecimento que propicia a reflexão e a
reelaboração desse saber, saber esse, que faz penetrar nas aparência das coisas,
aparência e essência essa, que uma vez penetrada pode receber vários
significados de acordo com o momento e o contexto; como foi o caso da Educação
Física que ora se apresentou com bases biológicas, hora com base nas ciências
humanas ora com base na economia e na política, como se verá a seguir.
ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS SOCIAIS
Assim na Europa com a decadência do feudalismo emerge um novo grupo que
sobe ao poder, chamado burguesia, inaugurando um novo sistema econômico,
denominado capitalismo e para maior esclarecimento aprecia-se EGLESIAS
(1989, p.91)
“Os
historiadores convencionaram chamar de revolução industrial a transformação da
tecnologia verificada na Inglaterra na segunda metade do século XVIII alguns
chegam a dar ano ou seja 1769, quando James Vatt consegue aperfeiçoamento da
maquina a vapor... para Frankli o homem é um animal que fabrica instrumentos.”
A revolução industrial decorre da
intensificação do comercio, a contar dos descobrimentos- revolução – comercio
da natureza e gosto pela investigação levado a novas atitudes- revolução intelectual...
(p.93)
A
novidade partiu da Inglaterra e é explicável, era dominadora dos mares, maior
comerciante, como também centro de investigações; seu povo era dado a pesquisa
como nenhum outro... (p. 94)
Essa
nação que possuía duas grandes forças transformadoras: riquezas oriundas do
comercio com outros países e produção de conhecimento advindo de pesquisas,
começou a influenciar a todos os países vizinhos que tentavam acompanhar o seu
ritmo e posteriormente as nações mais distantes. Além de EGLESIAS, SOARES, (2007,
p. 5 a 7) também comenta alguns acontecimentos da revolução industrial:
...
Na Europa e em especial na França este é o período em que se consolida o estado burguês e a burguesia com classe
criando condições objetivas para que
suas contradições de classe no poder
apareça, e seja inevitável o reconhecimento da existência de seu oponente
histórico: a classe operaria. Para manter a sua hegemonia, a burguesia necessita
investir na construção de um homem novo, um homem que possa suportar uma nova ordem
econômica politica e social, um novo modo de reproduzir a vida sobre novas
bases. A construção desse homem novo será integral ela cuidará igualmente dos
aspectos mentais, intelectuais, culturais e físicos. ...
O
desenvolvimento e a complexidade desta, sociedade das leis, da economia, da
exploração desenfreada do capital em relação ao trabalho, exigiam novas formas
de pensar a natureza, a sociedade e as relações do homem entre si. Era
necessário que houvesse explicações absolutamente irrefutáveis, portanto científicas sobre a nova sociedade e sobre as exigências de um homem novo ainda
em construção. (idem, p.8)
Nos
acontecimentos históricos percebe-se um viver intencional, consequência de
ações pensadas, com alvos e objetivos bem definidos, evidenciando uma
sistematização coletiva em diversas áreas, embora essa palavra não apareça nos
textos.
Então
com essa contextualização histórica e geográfica da sistematização e
posteriormente da sistematização da Educação Física, analisa-se: o ato de
sistematizar o trato do corpo, explicados nas obras dos autores que se
debruçaram sobre a temática estudando-a em períodos marcantes do século XX a
saber as décadas de 40 e 50 bem como os anos 80 até os dias atuais.
Passa-se então a analisar as primeiras formas
de sistematização do trato com o corpo, na obra de SOARES, Carmem Lúcia (2007,
p.51) destacando-se o seguinte: a Educação Física é representada, ou se
constitui nas escolas ginástica ou método ginástico, tendo como fundamentação
teórica as ciências biológicas: fisiologia, anatomia, biologia e outras com
grandes influencia dos pensadores educacionais desse período.
Ela tinha finalidades distintas;
unir os povos de uma nação, preparar para guerra, acabar ou inibir vícios,
fortalecer e higienizar o corpo impedir a proliferação de doenças, em fim
formar um novo homem considerando seu aspecto biológico preparando também para
enfrentar as duras jornadas de trabalho nas fábricas.
BASES
BIOLÓGICAS NA EUROPA
A
configuração de um trato com o corpo com base biológica na Europa foi objeto de
estudo de autores no Brasil e dentre esses se traz: SOARES (2007, p. 51,52)
A partir do ano de 1800 vão surgindo na Europa
em diferentes regiões formas distintas de encarar o exercício físico. Essas
formas receberão o nome de método ginástico (ou escolas) e correspondem aos
quatros países que deram origem as primeiras sistematizações sobre as
ginásticas na sociedade burguesa: Alemanha, Suécia, França e Inglaterra (que
teve um caráter muito particular, desenvolvendo de modo mais acentuado o
esporte).
Esse trecho é a confirmação do novo
modo de se pensar o corpo, visto que até aqui não se tinha nada parecido.
Essas
mesmas sistematizações serão transplantadas para outros países fora do
continente europeu. A ginástica a partir de então considerada científica,
desempenhou importante papel na sociedade industrial, apresentando-se como
capaz de corrigir vícios posturas oriundas das atitudes adotadas no trabalho, demonstrando assim, as suas vinculações com a medicina e, desse modo
conquistando status. A essa feição medica soma-se outra a ginástica a ordem
disciplinar... E a disciplina era algo absolutamente necessário a ordem fabril
e a nova sociedade.
Agora nesta
parte analisada reafirma-se a sistematização do trato com o corpo bem como o
seu propósito e finalidade, mas percebe-se que o status medicinal é por causa
da sua propriedade e não o agente que a aplicava o médico.
Para
além de sua presença nesse discurso, o seu conteúdo revela-se marcadamente
medicalizante, afirmação que pode ser traduzida, sobretudo pelas ciências que
lhe serve de base. Isto posto passaremos a fazer referencias as escolas de
ginástica que tiveram maior penetração no Brasil. Procurando destacar o viés
medico higienistas que expressam as ciências pelas quais se pautam a moral que
proclamam. Não nos ocuparemos com as questões pedagógicas que essas escolas
certamente suscitam.
Nesse trecho encontra-se um
problema que serviu de grandes debates quando essas escolas ginásticas foram
levadas para o Brasil, isto é suas aplicações curativas e disciplinares.
Apresentando algumas particularidades a partir
do país de origem, essas escolas de um modo em geral possuem finalidades
semelhantes: regenerar a raça (não nos esquecendo do grande número de morte e
de doenças) promover a saúde: (sem alterar as condições de vida): desenvolver a
vontade, a coragem, a força, a energia de viver (para servir a pátria nas
guerras e na indústria) e, finalmente desenvolver a moral (que nada mais é do
que uma intervenção nas tradições e costumes dos povos).
Assim
é que passamos a situar o seu surgimento na Europa e sua implantação no Brasil
de forma apenas descritiva, tendo por objetivo trazer um maior numero de
informações que permitam a compreensão da presença do pensamento medico
higienista na Educação Física.
Com esse trecho percebe-se
que há uma resistência a ideologia dominante que se utilizava da Educação
Física segundo esses estudiosos para se perpetuarem no poder. Então com essa
explicação de SOARES (2007, p. 51,52) pode-se perceber a forma explicita de
como o termo sistematizar aparece relacionado a Educação Física, evidenciando:
a forma, a estrutura a finalidade em que se configura os cuidados com o corpo
através de sua representação da época, a saber: a ginástica.
Logo a sistematização da
Educação Física estava sendo efetivadas para fins cívico-sociais, isto é,
cuidar das populações dos países europeu, seu alvo era a população adulta num contexto e
espaços sociais para trabalhar com as massas (toda uma população de um país).
Deixando o contexto europeu
direciona-se para o Brasil, num período que ele começa a se organizar e se consolidar
como nação, por encontrar nesses instantes estruturas sociais e institucionais
que enriquecem e facilita a explicação do pensamento sobre a Educação Física,
onde se pode perceber tranquilamente na obra: O que é Educação Física? de
MARINHO, (1983 p.52, 53, 54,55).
BASE
BIOLÓGICA NO BRASIL
Como se percebeu na Europa a
base de sistematização da Educação Física era de natureza biológica, e para
disseminar esse pensamento do trato com o corpo precisava das instituições públicas,
isto é, a estrutura administrativa do governo era o agente principal do ato de
sistematizar, por isso, se faz necessário apresentar o inicio da instalação dos
poderes públicos brasileiros, que forneceram condições legais estruturais e
conjunturais para se pensar a Educação Física no Brasil, ainda que de natureza
biológica, e para tanto se traz: MARINHO Vitor Oliveira, (1983, p.52-55 )
Instalação dos poderes públicos
trazidos pelos portugueses no inicio do século XIX fator determinante para
poder falar de sistematização da
Educação Física como área de conhecimento.
Instalado
no Brasil (1808), a família real portuguesa trata de estabelecer novas formas
de dominação. Atendendo a interesses estranhos as necessidades brasileiras,
começa um processo de desenvolvimento cultural, com tendências elitizantes. É
criada a imprensa Regia e a biblioteca Real. O ensino superior passa a receber
especial atenção, embora não existisse ainda um ensino primário e médio
estruturado. O importante era a formação do “doutor”.
Após a instalação dos poderes
públicos há uma necessidade de se implantar outras instituições e órgãos
necessários por outros seguimentos da sociedade, por exemplo, a educação,
seguimento importantíssimo nos debates relacionados a Educação Física.
Continuamos, porém sem nenhuma universidade.
Apesar da emancipação política (1822), a dependência econômica (agora da
Inglaterra), a censura, e a repressão são grandes a primeira constituição
(1824) dava poderes ilimitados ao imperador. A fase imperial registra tentativa
de organização do sistema educacional que nunca tivemos e, a partir daí,
algumas reformas educacionais tentam minimizar o verdadeiro caos em que se
encontravam a educação brasileira. Mais ou menos por essa época tem inicio
efetivamente, A historia da educação física no Brasil.
Agora além dos órgãos e entidades
especificas fala-se das fontes especificas, chega no Brasil livros que tratam
do assunto, e tomando como base esses conhecimento vindos de fora começa a se
desenvolver no Brasil uma consciência nacional relacionada a Educação Física.
Os
primeiros livros sobre a matéria chegaram, incluindo em seus conteúdos assuntos
absolutamente diversos da educação física atual: eugenia, puericultura, gravidez
etc. o ginásio nacional. Em 1851, começa a legislação referente a matéria,
obrigando a pratica da ginástica nas escolas primarias do município da
corte(Rio de Janeiro). No final do império, foi recomendada a utilização nas
escolas do “método alemão”, que havia sido adotado nos meios militares.
Esse método vinha sendo aplicado oficialmente
no exercito, e sua adoção nos meios escolares provocou reações por partes
daqueles que viam a educação física como elemento da educação e não um mero
instrumento para adestramento físico. Apesar dos esforços para a implantação da
educação nas escolas, o período imperial não proporcionou estímulos pedagógicos
significativos para os exercícios físicos. São duas as áreas de influencia: a
medica e a militar.
Começam-se as defesas de teses por
seguimentos de outras áreas que se apropriam da Educação Física para
direciona-la para fins dominantes.
A
primeira por intermédio de diversas teses da faculdade de medicina, onde o tema
era a educação física. A segunda, a partir de 1858, onde o exercício físico
tornou-se obrigatório nas escolas militares, o que acabou servindo como meio de
divulgação das atividades físicas. Essas duas tendências marcaram,
historicamente a evolução da educação física brasileira. No âmbito esportivo, o
remo era o mais importante. Não tinha praticamente nenhum concorrente em
popularidade.
Embora
julgasse não merecer lugar de destaque no setor educacional, a intelectualidade
brasileira já demonstrava preocupação com a educação física. A maior dessas
manifestações aconteceu por intermédio de Rui Barbosa. Os seus pareceres (1882)
sobre a reforma de ensino Leôncio de Carvalho constituíram-se num pequeno
tratado sobre a educação física.
As recomendações de Rui Barbosa vêm
tratar até mesmo da necessidade de equiparação do professor que ministrava a
Educação Física nas escolas, aos demais professores.
Baseado
numa rigorosa e exaustiva analise da historia da educação física, Rui Barbosa
adianta-se em muitos anos, aos que pensavam sobre o assunto no Brasil. Numa
época em que os professores de educação física ainda usavam paletó e gravata,
ministrando suas aulas dentro das salas e por entre as carteiras, as
recomendações de Rui soaram como uma verdadeira utopia. Entre as citadas
recomendações citamos:
Ruy Barbosa passa a defender publicamente a
Educação Física, e sua defesa se transforma nas primeiras leis obrigando a
introdução, a permanência e a regulamentação da Educação Física dentro do
contexto escolar.
Obrigatoriedade
da educação física no jardim de infância e nas escolas primarias e secundárias,
com matéria de estudos em horas distintas das do recreio e depois das aulas;
Distinção
entre exercício físicos para os alunos (ginástica sueca) e para as alunas
(calistenia); Pratica de exercícios físicos pelo menos quatro vezes por semana,
durante 30 minutos, sem caráter acrobático;
Valorização
do professor de educação física dando-lhe paridade, em direito e vencimento,
categoria e autoridade, aos demais professores;
Contratação
de professores de educação física, de competência reconhecida na Suécia,
Saxônia e Suíça;
Instituição de
um curso de emergência em cada escola normal para habilitar os professores
atuar de primeiras letras ao ensino da ginástica.
Após
a abolição e a proclamação da republica as expectativas da sociedade brasileira
estavam alteradas a afluência de jovens aos grandes centros, a eminencia de sedentariedade provocada pela revolução nos meios de transporte e a influencia
da imigração fomentada após a abolição precipitou impulso decisivos em relação
a uma preocupação mais sistemática com a educação física.
Assim
viu-se a edificação do corpo administrativo como também a necessidade de instituir estabelecimentos específicos que tratassem da área, funda-se as primeiras instituições
responsável por formar o agente responsável pela Educação Física visto que
inicialmente o Brasil não possuía pessoas com tal qualificação. E para tal
verificação se traz: MARINHO Vitor
Oliveira, (1983, p.52-55 )
“Valorização
do professor de educação física dando-lhe paridade, em direito e vencimento,
categoria e autoridade, aos demais professores; Contratação de professores de
educação física, de competência reconhecida na Suécia, Saxônia e Suíça;”
O momento apresentado demostra claro
e evidente o inicio da sistematização da Educação Física como área de
conhecimento no Brasil que se aprimorará no século seguinte, isto é, o século
XX. Os pareceres de Ruy Barbosa, as legislações sobre a matéria e a chegada dos
primeiros livros sobre o assunto. Após algumas décadas da implantação dos
métodos ginásticos é possível fazer uma reunião e explanação de alguns deles
para analise e estudos, verificando-se como foi inicialmente pensado a
corporeidade no Brasil, para tanto apresenta-se: PENA, Enezil (s/d, p.p.10-14)
em
SISTEMATIZAR
PARA ADESTRAR O FÍSICO
Uma sistematização puramente biológica, onde constitui-se a apropriação do legado europeu, isto é, o uso
dos métodos ginásticos pela nação brasileira para desenvolver valências
físicas, úteis para a formação do caráter disciplinado, favorecendo a ordem e o
progresso, que era necessário para a confirmação de sua soberania.
I –
GENARILIDADES. Os exercícios físicos, de um modo geral têm sido objetos de
distintas classificações segundo o ponto de vista que coloca o respectivo autor
considerando o interesse que o possa dominar ou a finalidade que o objetiva.
Cada um de nós poderá organizar uma classificação própria dos exercícios
físicos em relação ao determinado fim, e, deste modo, reuni-lo do ponto de
vista estético, utilitário etc. ou segundo as qualidades de força, destreza,
flexibilidade etc. que desenvolvem. Podem ainda os exercícios físicos serem grupados
por sinergias musculares interessadas, ou famílias consoantes o tipo de
atividades, como no método francês. Vamos dividir esse assunto nas duas partes
que se seguem, a primeira das quais se referem a classificação dos exercícios
de um modo geral e a segunda tipos de classificação adotados por certos
autores, sistemas ou métodos...Enezil (sd, p.10)
Nessa primeira citação Enezil reconhece
a flexibilidade na hora de se organizar e sistematizar os métodos ginásticos.
II-
CLASSIFICAÇÃO DOS EXERCÍCIOS DE MODO GERAL
Natureza
Primeiramente
poderemos dividir os exercícios, segundo a sua natureza, em dois grandes
grupos: naturais e artificiais. O primeiro traduz as atividades a que o homem é
levado na sua vida habitual, isto é, exercícios que não estão adrendemente
concebidos e cujo exercício não obedece a uma forma rigorosa, preestabelecida;
os últimos exercícios são justamente os exercícios construídos pelo homem e que devem ser executados segundo
a forma traçada, consoante o modelo estabelecido.
Nota-se
que as organizações dos exercícios considera-se apenas aspectos físicos, sendo
isso os motivos das constantes criticas sofridas pela Educação Física nos
estudos posteriores Enezil.
ESQUEMAS
DESSAS CLASSIFICAÇÕES
Exercícios
{naturais, artificiais}[construídos, formais, sistematizado ou metodizados]
Valências
físicas
As
valências físicas podem ser sintetizadas em quatro grupos: pela força,
resistência equilíbrio e destreza; a destreza compreende a velocidade, a
agilidade e a agilidade. Os exercícios físicos estão classificados como
geradores de força, resistência, destreza e equilíbrio.
Esquema
dessa classificação:
Exercícios
geradores de {força, resistência, equilíbrio e destreza} DESTREZA {velocidade e
agilidade}
No inicio do trecho que se segui é
dito que há vários modos de se organizar os exercícios, toda a organização da
época é de natureza biológica.
Esforço
Relativamente
ao esforço empreendido na sua pratica, isto é, ao consumo de energia, podem os
exercícios físicos serem grupados: suaves ou fracos intensos ou fortes, havendo
entre eles uma escala de graduação, que admitiria um termo médio.
Esquema
dessa classificação:
Suaves
ou fracos
De
intensidade media
Intensos
ou fortes
Mas na medida em que se verifica as
abordagem em cada trecho percebe-se que essa flexibilização não altera sua base
de natureza biológica.
Ação
Os
exercícios físicos podem atuar principalmente sobre determinada sinergia
musculares e, neste caso, são ditos de ação localizada ou analítica ou podem
ter ação generalizada sobre o organismo, atuando principalmente sobre as
grandes funções, quando são chamados sintéticos.
Esquema
desta classificação:
Exercícios
de ação localizada - analítico
Generalizada – sintético
Coordenação
neuro – muscular
As
coordenações neuromusculares são estimuladas, desenvolvidas, aperfeiçoada por
intermédio de exercício físicos que estabelecem conexões psicossomáticas cada
vez mais importantes e, assim os exercícios poderiam ser classificados em
simples ou fáceis, complexos ou difíceis, conforme o grau de coordenação
neuromuscular exigido para sua execução.
Esquema
dessa classificação:
Exercício
de coordenação neuromuscular:
Complexa
ou difícil
Simples
ou fácil
Valores
biopsicossociais
Há
exercício que se apresentam conforme a sua duração, intensidade complexidade,
condições ambientais, etc.
Então se conclui que a
sistematização apresentada por Enezil (sd,p.12) é puramente biológica, no entanto aparece
exercícios de valores biopsicossocial, psicossocial que ganhará grande
notoriedade nas décadas que se seguem.
Percebe-se
que a sistematização da Educação Física de caráter biológico, predominou no Brasil
durante décadas do século XX, com alguns momentos de inclinação para o esporte
como marketing ideológico político nacional, pois o caráter extremamente
biológico não satisfazia mais as ideias da nova sociedade brasileira. Sendo o
fenômeno esportivo significativo no processo de sistematização da Educação Física
como área de conhecimento abriu-se um parêntese e expõem-se a seguir um
capitulo para tratar desse tema.
ESPORTIVIZAÇÃO
Como se percebeu com o avanço da
modernidade há uma organização diferente da sociedade fazendo surgir atividades
corporais que melhor representassem o sistema econômico social emergente, e
vindo da nação, a saber: a Inglaterra, que ditava o ritmo das coisas,
constrói-se o desporto, assim esse novo trato com o corpo alastra-se por
inúmeros países do mundo inclusive o Brasil.
Após
a abolição e a proclamação da república as expectativas da vida na sociedade
brasileira estavam alteradas: as influencias de jovens aos grandes centros, a
iminência de sedentarização provocadas pela revolução nos meios de transportes
e a influencia de imigração fomentada após a abolição precipitaram impulsos
decisivos em relação a uma preocupação mais sistemática com a Educação Física.
O futebol importado da Inglaterra em 1894 começa a escalada que o levaria na década de trinta a suplantar
definitivamente o remo... MARINHO, Vitor de Oliveira (1999, p. 55)
Assim como a ginástica alguns
esportes se destacaram e predominaram mais que outros, é o caso do futebol que
se tornou no Brasil paixão nacional multiplicando a sua pratica constantemente.
“Além desse esporte transformado em monocultura esportiva, vários outros são
introduzidos... a natação (1889), o tênis (1988) etc...” MARINHO, Vitor de
Oliveira (1999, p. 56)
Durante esse período no Brasil o
esporte e a ginástica se desenvolviam juntos, mas alguns acontecimentos
favoreceram o fortalecimento do esporte em detrimento da ginástica.
As
ginásticas alemãs e suecas sofreram, em 1921, um golpe fatal. Um decreto aprova
o regulamento da instrução física militar destinada a todas as armas e
inspirado na ginástica natural francesa, vinculada pela escola de
Joinville-le-Pont. No ano seguinte uma portaria do ministro da guerra institui
o centro militar de Educação Física, destinado a difundir o novo método de
Educação Física e suas aplicações desportivas... idem
“A década de trinta dispensa ao
esporte, principalmente ao futebol, uma popularidade que já o coloca como
fenômeno social”. MARINHO, Vitor de Oliveira (1999,p. 58)
“Com a ascensão do esporte como fenômeno
social há um direcionamento do esporte para fins ideológicos políticos, tanto
quanto a dominação das massas quanto a projeção da nação brasileira a nível
mundial.” MARINHO, Vitor de Oliveira (1999,p.
59)
O esporte passa a ser conteúdo principal
nas aulas de Educação Física, no contexto escolar, que tem como base a Ciência
Desportiva assunto esse tratado por alguns autores inclusive VALTER, Bracht
(2007)
Se
nas origens no Brasil, e até aproximadamente a década de 60 o discurso no
âmbito da EF era marcado pelo viés pedagógico (de tom muitas vezes fortemente
normativo) a partir de então passa a ganhar espaço um teorizar cientificista. VALTER, Bracht
(2007, p. 18)...
Fator determinante para essa nova onda cientificista na EF, no entanto, foi o
enorme desenvolvimento que sofreu, após a segunda guerra mundial, o fenômeno
esportivo e como ele foi absorvido ou se impôs á EF. No final dos
anos 60 se impôs a denominação Ciência Desportiva e isso segundo o autor em
função da tendência internacional nesse sentido, bem como o esporte tornou-se o
fenômeno dominante nessa área. Dietrich e Landau (1987, p. 384) vão além
afirmando que o conceito de pedagogia desportiva (sportpadagogik) determinou o fim da época do
conceito de teoria da EF (Leideserziehung) com suas concepções orientada nas
teorias da educação. VALTER,
Bracht (2007, p. 19)
Após as citações acima se
notou que há uma constância no trato da sistematização da Educação Física como
área de conhecimento no Brasil, isto é, seus fundamentos mudam de acordo com
forças externas oriundas de questões internacionais e políticas nacionais,
neste caso o status de nação desenvolvida de primeiro mundo, pois as
competições internacionais servia para demonstrar a superioridade das nações
competitivas e a supremacia do seu sistema de governo e economia.
Além
disso, também a pedagogia desportiva, como outras disciplinas da Ciência
desportiva vão ser funcionadas a partir dos interesses da instituição desportiva...
a produção acadêmica volta-se para o fenômeno esportivo. É a importância social
e política desse fenômeno que faz parecer legitimo o investimento em ciência
neste campo... Nesse contexto é fundada,
no final dos anos 70 uma nova entidade científica, o Colégio Brasileiro de
Ciência do Esporte. VALTER, Bracht
(2007, p. 20)
Uma vez convencidos de que o
esporte era capaz de promover o status da nação bem como elevar o nível de
aptidão física do povo além de fornecer maior sucesso e reconhecimento do
profissional de Educação Física, buscou-se o culto do esporte para alto
rendimento dentro da escola, levantando velhas questões relacionada a Educação
Física e a escola, mas agora como objeto de discussão o objetivo do esporte
dentro da escola, assunto esse muito debatido por alguns autores.
Percebe-se então que a troca de
uma Educação Física de pedagogia para fins morais e cívicos para uma pedagogia
esportiva não seria adequada para a formação geral do aluno e que se estaria
tropeçando nos mesmos entraves reducionista do adestramento físico, ou se o
esporte seria na escola seletivo ou formativo crítico. Então, assim como, a Educação Física de bases
biológica foi rejeitada por parte de muitos que pensavam o trato com o corpo a
pedagogia esportiva na Educação Física no contexto escolar também.
E fechando o parêntese para deixar o fenômeno esportivo de lado,
analisa-se agora: as inferências sofridas pela Educação Física no contexto
escolar. E para retomada de raciocínio e entender melhor esses acontecimentos na
sociedade brasileira, em especial nas escolas, apresenta-se: Herold, Junior
(2008, p.85).
BASES ANTROPOLÓGICAS SOCIAIS, PROCESSO
DE MUDANÇA
A Educação Física que já
vinha se estruturando sistematicamente, mas, não com a finalidade educacional;
intelectual e livresca, seguia outra lógica como já foi inicialmente explicado,
é obrigada ainda em fase transitória e inacabada, absorver de forma rápida e
impensada as exigências pedagógicas e sociais do contexto escolar. Para
verificar e entender tais situações convoca-se para este entendimento
CASTELLANI
FILHO, (2005, p.44).
Cabe
aqui ressaltarmos o fato de que o esforço de se lançar mão da Educação Física
como elemento ainda de conformidade com uma visão de saúde corporal, saúde
física - eugênica- enfrentava barreira arraigadas nos valores dominantes do
período colonial, sustentáculos do ordenamento social escravocrata que
estigmatizaram a Educação Física por vincula-la ao trabalho manual físico
desprestigiadíssimo em relação ao trabalho intelectual, este sim, afeta a
classe dominante, enquanto o outro se fazia pertinente única e tão somente aos
escravos.
Nesse trecho citado
por CASTELLANI
FILHO, (2005, p.44). tem-se a certeza que a Educação Física precisava ser
moldada a sociedade dominante, pois sua natureza pratica na época trazia
lembranças do trabalho escravo, coisa que ninguém queria se associar, sendo que
os trechos que se seguem vem cumprimentar essa ideia.
Otaíza
Romanelli coloca a estigmatização do trabalho manual, como um dos obstáculos a
aceitação da ideia do ensino técnico profissionalizante por parte da camada
dominante, que recebia uma educação de natureza “humanista”, no sentido
“ilustrado, “livresca”, dissociada do componente trabalho produção”.
Jurandir
Freire também faz referencia a esse preconceito, ao tecer considerações sobre o
trabalho a luz da ética colonial: a ética colonial; repudiava o trabalho. O
branco livre não se imaginava exercendo uma profissão que lhe exigisse ocupação
manual. O chefe de família digno não trabalhava: vivia de renda ou da
exploração parasita do trabalho dos outros, se não era proprietário de terras
ou comerciantes, procurava locupletar-se em alguns trabalhos burocráticos da
administração publica. Quando nenhuma dessas possibilidades surgia sugava o
trabalho escravo até a ultima gota...
Assim por causa das investidas contra o modo
de se apresentar da Educação Física, ela passa a ser pedagogizada, como se não
fosse! E tentando entender a Pedadogização da Educação Física no contexto
escolar, apresenta-se mais de HEROLD, Junior Carlos (2008, p.p.89- 95,100,106)
onde se traz o seguinte:
Na
escola publica a educação corporal retomada desde o renascimento converte-se em
disciplina obrigatória, revestida da mesma moralidade que as demais. Se a
escola era defendida como local responsável por fomentar os valores sociais,
indispensáveis ao restabelecimento da ordem perdida na crise, a educação do
corpo deveria adequar-se a esse projeto.
Este
esforço pode ser observado em todos os educadores que focalizavam sua atenção
sobre tal problemática. ... A interligação entre vontade e exercício físicos
faz com que o exercício pelo exercício e o exagero do atletismo sejam
criticado. ...
Pelo que foi visto a Educação Física
no contexto escolar é extremamente hostilizada. Recebe constantemente forte
criticas, trazendo a tona a velha dicotomia mente e corpo. Assim
obrigatoriamente a sistematização dos movimentos corporais teria que se
submeter a sistematização hegemônica da mente, super valorizada no contexto
educacional. Mas, apesar de todos os problemas enfrentados, a Educação Física
vai tomando corpo teórico definindo-se como disciplina nesse contexto. Podendo–se
afirmar então que sistematizar e pedagogizar passaram a ser sinônimo dentro do
contexto escolar e esse processo agora de pedagogizar é marcado por grandes
embates.
Depois
de anos de criticas e discussões sobre a sistematização para se adestrar o
físico, ficando mais intensa com a sua utilização como instrumento político
ideológico, essa finalidade de caráter e base biológica e depois moral, cai em descrédito, é abandonada caracterizando uma crise de identidade, abordada na
obra de Vitor de Oliveira Marinho (1982, p. 64)
Terminado
o nosso passeio, deparamos com um labirinto. Nossas dúvidas, longe de serem
sanadas, aumentaram. A História desvendou tantos caminhos, e agora o que não
sabemos, é por onde começar. Chegamos a entender o que é Educação Física? Qual
a sua essência? Dessa vez não será necessário um roteiro e qualquer inicio deve
servir. Pode ser que ao final cheguemos a chave do mistério. As diversas
alternativas não dão o direito de pretender esgota-las, mas bem podemos
repensar, pelo menos, algumas delas. Quem sabe se a Educação Física não é: ginástica,
medicina, cultura, jogo, esporte, política, ciência...
Procura-se agora explicar as questões do corpo
fundamentadas sobre teorias educacionais com fortes influencias das ciências
humanas: antropologia, filosofia, psicologia, sociologia, política etc.
TENDÊNCIA
E TEORIAS
Logo os estudiosos buscam uma sistematização
dos movimentos e explicações sobre o corpo para suprir as necessidades da Educação
Física nas escolas, toda e qualquer tentativa de sistematização da Educação Física
é só, e exclusivamente para o contexto escolar, onde se faz oportuno trazer
para o dialogo Celi Taffarel (2009, p. 2)
As
tentativas de sistematizar as teorias da Educação Física no Brasil podem ser
localizadas, nas décadas de 40 e 50 do século passado, na obra de Enezil Penna
Marinho, de lá para cá podemos localizar muitas outras tentativas de
sistematização teórica, algumas levando em consideração as teorias
epistemológicas- com base na definição dos objetos investigativos, para daí
fundamentar as teorias da Educação Física, por exemplo, a proposta de teoria da
Educação Física a partir da discussão levada a cabo por Manuel Sergio no Brasil
na década de 80 e, outra por sua vez, buscando apoio nas teorias educacionais e
principalmente na sistematização apresentada por Saviani na década de 80 em seu
livro escola e democracia. Dentro deste aspecto vamos encontrar, portanto, a
sistematização de propostas teorias pedagógicas em Ghiraldelli, Castellani,
Taffarel entre outras.
E para entender essas teorias se faz
necessário verificar as tendências ou os princípios que a estruturaram, para
isso apresenta-se Lino Castellani Filho (2005, p. 215) onde ele afirmava que no
Brasil existia três tendências distintas
para a Educação Física, onde uma já foi exaustivamente explicada e criticada:
“... por tudo aquilo que até nesse instante expusemos nos sentimos
em condições de afirmar existe hoje na Educação Física no Brasil um movimento
que pode ser dimensionado a luz da analise de três tendências identificadas na
Educação Física brasileira. Uma que se apresenta na sua biologização,
caracteriza-se por reduzir o estudo da compreensão
do homem em movimento apenas em seus
aspectos biológicos, dissociando-o, como se fosse possível faze-lo sem incorrer
em equívocos teóricos danosos e irremediáveis, dos demais aspectos que
caracterizam o movimento humano antropologicamente considerado.
Psicopedagogização da Educação
Física
...
outra tendência pode ser reconhecida como aquela que se traduz na psico-pedagogização da Educação Física. Explica-se no reducionismo psicopedagógico
que se caracteriza pela analise das instituições sociais. Escolas por exemplo,
enquanto sistemas fechados, forjando formulações abstratas, a-históricas de
crianças, homens, idosos, como se existissem em si mesmo, ao largo das
influencias das relações sociais de produção que se fazem presente na sociedade
em que estão inseridos... Poder-se-ia através de uma leitura superficial apontar-se
na contraposição dessa tendência a da biologização... Apenas aparente
contraposição e essencial identificação entre as duas tendências, explica-se
pelo fato de tanto uma como a outra integrarem
o quadro das concepções acríticas de filosofia da educação, lançando-se mão
aqui da classificação formulada por Saviani... porem uma terceira tendência
começa a ganhar corpo no cenário da Educação Física no Brasil. Lino Castellani
Filho (2005, p. 216)
Econômica-Politica-Social
Para ela educar caracteriza como uma ação essencialmente política á medida
que busca possibilitar a apropriação pela classes populares, do saber próprio
da cultura dominante, instrumentalizando-se para o exercício pleno de sua capacidade de luta no plano social.
Trata-se, portanto no concernente a Educação Física no Brasil, na imperiosidade
de traduzir o acesso a saber, produzido, sistematizado e acumulado
historicamente, pela classes subalternas, nas coisas pertinente a motricidade
humana. Através da socialização do corpo de conhecimento existente a respeito
do conhecimento do homem em movimento. Lino Castellani
Filho (2005, p. 218)
Essa terceira tendência busca tratar a
Educação Física como sendo a área de conhecimento responsável pelo estudo
acerca dos aspectos sócio-politico-econômico antropológicos do movimento humano.
Lino Castellani Filho ( 2005, p. 220).
Assim
encontrou-se que o processo de sistematização da Educação Física acompanhou as
mudanças socioeconômicas e históricas, bem como o avanço científico.
Aceita-se que
houve hoje um avanço, pois o reducionismo a que ela estava presa, quando sua
teorização estava ligada exclusivamente as questões orgânicas do corpo, foi
definitivamente superada, é quase que uma unanimidade rejeitar todo teorização
de caráter tradicionalista tecnicismo, ou o movimento pelo movimento, muitas vezes
chamado de biologização da Educação Física.
Assim seguindo um pensamento linear
tem-se a sistematização dos métodos ginásticos apresentados nestes estudos como
legado europeu, de bases biológicas, com o propósito de adestrar o corpo
predominando por décadas, depois com inclinações para a Pedadogização moral e
cívica, seguida de uma forte influencia do esporte, utilização ideológica política, a seguir a psicopedagogização para educação integral e finalmente as
bases político-econômico- social com o objetivo de formar o cidadão critico
emancipatório.
Logo o processo de sistematização da
Educação Física como área de conhecimento no século XX no Brasil após seu
inicio de sistematização na Europa desemboca no contexto escolar, mudando de
ênfase, de termos, propósito se desviando e muito das ideias que a conceberam.
O fato é que as discussões são exclusivamente,
no, e para, a construção do corpo teórico
da Educação Física, e sua intervenção dentro e para a escola, bem como
as discussões são estendidas para a construção de um método próprio e campo ou
área de atuação, elevando-se o dialogo para campo acadêmico, o nível superior,
o que era uma simples sistematização para organizar exercícios físicos, dando o
aspecto científico, se tornou em tendências; depois Pedadogização e teoria
educacional. Ou melhor, dizendo, transformou-se em diversas teorias
educacionais.
TEORIA CRITICA SUPERADORA
E falando de teoria educacional
abrem-se o dialogo para tratar da teoria critica superadora que serviu de
fundamentação para a sistematização da Educação Física escolar, sistematização
expressa no livro que ficou conhecido como
coletivo de autores. SOARES, et al (1992, p. 25)
Uma
pedagogia entra em crise quando suas explicações sobre a pratica social já não
mais convence aos sujeitos das diferentes classes e não correspondem aos seus
interesses. Nessa crise, outras concepções pedagógicas vem sendo elaboradas
para lograr consenso convencimento ( convencimento) dos sujeitos, configurando
a pedagogia emergente, aquelas em processo de desenvolvimento, cuja a reflexão
vincula-se a construção ou manutenção de uma hegemonia.
O
presente texto trata de uma pedagogia emergente, que busca responder a
determinados interesses de classe, denominado aqui: critico-superadora. (idem)
Essa sistematização para explicar a
Educação Física como área de conhecimento trazida pelo coletivo de autores é
extremamente diferente das primeira formas de se explicar o trato com o corpo,
o qual se faz necessário pontuar algumas de suas peculiaridade, ou seus pontos
mais marcante percebidos nessa analise, para tanto busca-se os texto que se
seguem:
Essa sistematização esta
destinada a professores que lecionam em escolas inicialmente, ampliando para
outros.
Escrevemos
esse livro pensando em professores de Educação Física que encontramos em varias
oportunidades, nas escolas... (p. 17)
Tem como função principal
fornecer fundamentos para a construção de uma consciência critica da sua
pratica pedagógica.
...
deve fornecer elementos teóricos para a assimilação consciente do conhecimento,
de modo que possa auxiliar o professor a pensar autonomamente (p.17)
Uma definição inovadora da Educação
Física chamando-a de matéria escolar, aliado a um termo “novo” cultura corporal
veja:
Este
livro expõe e discute questões teórico metodológico da educação física,
tomando-a como matéria escolar, que trata pedagogicamente, temas da cultura
corporal, ou seja, os jogos, as ginasticas as lutas, as acrobacias, a mimica,
os esportes e outros. Este é o conhecimentos que constitui o conteúdo da
Educação Física. (p. 18)
Essa sistematização divide os
conteúdo da Educação Física por ciclos:
Os
leitores encontraram aqui elementos básicos para: a) elaboração de uma teoria
pedagógica; elaboração de um programa especifico para cada um dos graus de
ensino. (idem)
Sugere um avanço no pensar sobre
o trato com o corpo ampliando o seu significado chamando a reflexão:
A
Educação Física no currículo escolar; desenvolvimento da aptidão física ou
reflexão sobre a cultura corporal, é o titulo do primeiro capitulo, nele são
colocados elementos teóricos que permitem ao leitor distinguir as matrizes que
informam as duas perspectivas: aptidão física e reflexão sobre a cultura
corporal.
Os conteúdos da Educação Física
foram ligados ao projeto politico pedagógico das escolas, definindo a sua
função social dentro da escola.
O
professor sentir-se-á apoiado, no desenvolvimento da sua reflexão, com os elementos
teóricos sobre a concepção de currículo escolar vinculado a um projeto politico
pedagógico que destaca a função social da Educação Física no contexto da
educação escolar. (idem)
Em fim essa sistematização
trazida pelo coletivo de autores formata completamente a Educação Física é
exclusivamente para as escolas mudando também as formas de avaliação bem como os
itens a ser avaliados levando-a definitivamente as questões sociais. Toda essa
sistematização aborda a Educação Física como produto de uma sociedade de
classe, sendo a Educação Física instrumento de transformação social, onde o
professor na sua pratica pedagógica deve oferecer aos alunos sempre reflexões
para transformar a sua realidade social, bem diferente do legado europeu apresentado
e organizado por Enezil Pena Marinho que se preocupava com as valências
físicas. Considera-se o contraste dessas duas sistematizações (Enezil e
Coletivo de autores) bem distintas da Educação Física, que contradições á parte,
deram sua contribuição para a teorização dessa pratica, motivo ainda de muita
discussão.
AS DISCUSSÕES APROFUNDADAS NA ÁREA
ACADÊMICA.
A Educação Física para atender as exigências
do contexto escolar, mantendo o seu status de disciplina e para construir seu
campo acadêmico, enfrenta agora debates e embates para ser reconhecida como
ciência. Sendo que para explicar essas discussões mais avançada aponta-se BRACHT, Valter; (2007,
p. 15)
...Neste capitulo tomamos como foco de atenção
a construção do campo acadêmico da EF no Brasil, com especial atenção para o
período que vai do final da década de 60 até nossos dias. É importante desde
logo ressaltar que nossa atenção recai sobre a produção acadêmica da área vale
dizer à teorização que envolve acompanhar a pratica social que convencionamos
chamar de Educação Física, ou seja, é um estudo sobre o pensamento da EF
brasileira e como ela vem se pensando. Especificamente, perseguimos a questão
de como foram pensados os
limites/contornos deste campo, que dele participa legitimamente, quais
problemáticas são privilegiadas e reconhecidas como pertencentes ao campo, ou
seja, como a partir desse conjunto de pratica forja-se o próprio campo... p.15
.
Então pelo que foi apresentado por BRACHT,
Valter; (2007, p. 15-18) a Educação Física continuou o seu processo de
sistematização iniciado pelos acontecimentos históricos sociais advindos da Europa
adentrou o território brasileiro recebeu
influencias únicas ao ser introduzido no contexto escolar, e as tentativas de
teorizar as atividades físicas foram realizadas por profissionais de outras
áreas, a saber, o medico, o militar, com conhecimentos das ciências medicas, pedagógicas
educacionais, e depois politicas-
econômicas- sociais.
No contexto escolar era uma
Educação Física para a saúde e para a educação moral de arcabouço teórico
metodológico marcadamente biológico. O teorizar da
Educação Física da origem a um chamado intelectual da Educação Física BRACHT,
Valter; (2007, p. 18) Segundo BRACHT,
Valter; (2007, p. 18) o intelectual que pensaram na teorização da Educação Física
inicialmente, se utilizavam de uma única fonte de conhecimento as ciências
biológica, já os intelectuais que os precederam trouxeram/adquiriram
conhecimentos para fundamentar a teorização da Educação Física em outras áreas
(medicina, militar, economia-politica).
Assim
verifica-se em BRACHT, Valter; (2007) que embora os
profissionais que pensaram a Educação Física dentro do escolar estivessem se
afastado das questões do adestramento físico baseado nas ciências biológicas,
estavam pedagogizando a Educação Física para fins também reducionistas, isto é:
direciona-la para saúde, moral e civismo, Era um teorizar cientificista. (p. 18)
é levantada uma questão se a Educação Física seria uma ciência ou uma
disciplina acadêmica. (p. 19) percebe-se então que a consolidação da Educação Física
como ciência tem um longo caminho a percorrer.
Fazendo nesse momento uma retrospectiva
de tudo que foi analisado até aqui, no processo de sistematização da Educação Física,
como área de conhecimento, achou-se inicialmente um sistematizar para melhor
adestrar o corpo, acompanhado de uma teorização para saúde, moral e civismo. Posteriormente
adentrando o contexto escolar houve um teorizar para pedagogizar. E dentro dessa logica e contexto, surgiram três
tendência; que desembocaram em teorias educacionais, tais como: critica
emancipatória e critica superadora entre outras.
Com o aparecimento dessas teorias cogitou-se
o status de ciência para Educação Física: “ciência pedagógica do movimento”
ciência do esporte e ciência da motricidade humana. E ainda a Educação Física é
chamada no contexto escolar de praticas pedagógicas que tematizam a cultura
corporal de movimento BRACHT, Valter; (2007, p. 25). Essa forma progressista de explicar o trato com o corpo
é já a atuação do intelectual da educação e sua oposição a dominação hegemônica
segundo, outrora; biológica: JAIME e FENSTERSEIFER (2010, p. 145, 146).
No século 20
no período compreendido entre as décadas de 60 e 80 assinala uma ruptura nessa
tradição pedagógica com ascensão do discurso científico como referencial
privilegiado para a Educação Física. Na Europa e América do Norte impõe-se a
questão do estatuto da Educação Física, se ela seria ou não uma disciplina
acadêmica ou científica, qual seria o seu objeto de estudo, etc. gerando as
oposições e tensões que daí em diante irá percorrer o entendimento que a área
busca construir de si própria.
Nos Estados Unidos Henry (1964) propõe a
Educação Física como disciplina acadêmica diferenciada das disciplinas que
tradicionalmente lhe dão suporte (fisiologia, psicologia, antropologia,
sociologia etc.) e em oposição ao caráter de aplicação profissional (em
especial no campo educacional) que lhe era tradicional...
Pelo que foi percebido após o surgimento do intelectual de Educação Física,
que buscava seus saberes na política dentre outras áreas, além das biológicas,
mencionado pela abordagem de BRACHT, Valter; (2007, p. 20) houve o surgimentos
de teorias da Educação Física que tinha como finalidade resistir contra a
dominação hegemônica circundante, eram contra o tecnicismo militar, a saber, abordagem crítica- emancipatória. JAIME e
FENSTERSEIFER (2010, p. 145, 146).
Parece que a rejeição da Educação Física com fundamentos biológicos-tecnicista
aplicado em determinado momento pelos militares, abriu precedente para uma
fragmentação constante da teoria da Educação Física.
Pois das teorias apresentadas no século XX no Brasil nenhuma conseguiu
se tornar hegemônica, apesar das tentativas constantes dos seus pensadores e
teóricos que a defendem com vigor no campo acadêmico, a exemplo de defesa se
tem a ciência da motricidade humana ainda não explicada nem comentada nesse
estudo, pelo que se acha oportuno apresentar: MIROSLAV, Milovic apud JAIME e
FENSTERSEIFER (2010, p. p.292- 294)
A
tese mais completa que se conhece sobre a Ciência da Motricidade Humana (CMH)
foi apresentada pela primeira vez, nas provas públicas de doutoramento do
filosofo e professor português Manuel Sergio Vieira e Cunha... em junho de
1986, no instituto superior de educação física ( hoje, Faculdade de Motricidade
Humana) da Universidade Técnica de Lisboa.
Construir uma ciência supõe a criação de um
novo objeto de estudo e de um vocabulário diferente, distinto das linguagens do
senso comum, e das outras ciências e ainda de uma metodologia própria.
Assim
a CMH a ciência da compreensão e da compreensão das condutas motoras e que
portanto estuda a energia para o movimento intencional da transcendência ( ou
da superação), tem como objeto de estudo a motricidade humana ( e não só o
físico ) ; tem o seu vocabulário próprio inconfundível, a partir da palavra
chave: motricidade; e busca fazer seus métodos específicos das ciências
humanas, em que a biologia e a cultura se interpenetram mutuamente. ...
Manuel
Sergio fundamentado na fenomenologia explica que a motricidade é a verdade da
percepção e que não há conhecimento sem o corpo...
Manuel
Sergio, que pertenceu á célula dos escritores do Partido Comunista Português (
no qual teve como camarada, o Nobel José Saramago) estudou com grande rigor,
Marx, Nietzsche e Freud e concluiu que o
racionalismo do qual nasceu a Educação Física estava definitivamente
ultrapassado.
Percebe-se que todos os pensadores que se dispuseram a teorizar as
praticas corporais ou o movimento humano, ou ainda as atividades físicas estão
coeso em rejeitar a construção histórica da Educação Física oriunda dos
acontecimentos históricos sociais e científicos que marcaram a modernidade,
divergem, porém, na hora de trocar a maneira tradicionalista taxada por muitos
de reducionista e outros pejorativos por algo que julgam melhor ou superior,
isto é: mais avançado; multiplicando assim constantemente teorias educacionais da Educação Física.
Aconteceram ainda inúmeras idas e vindas, avanços e retrocessos na
teorização das praticas corporais, pois como foi notado há muitas forças
operando na teorização e sistematização da Educação Física no Brasil, e cada
uma puxando para lados diferentes.
Logo se percebeu que essa
investigação tratou constantemente da organização de um universo caótico, um
universo desordenado advindo da decadência do feudalismo e dos conflitos
trazidos pela alternância de poder na região da Europa, que deixou a sociedade
europeia cheia de problemas sociais, cuja a solução e erradicação das mazelas,
se iniciaria com uma nova reorganização e reestruturação de todos os seus componentes
e setores da comunidade (uma sistematização de proporções mundiais).
Para isso teria que aplicar
em grandes proporções os conhecimentos sistematizados chamados científicos, já
testados com sucesso, na Inglaterra na construção de maquinas, criação das
grandes fabricas, organização das ações dos proletariados, e no comercio, (o
ato de sistematizar), e foi isso que fizeram.
Expandiram a aplicação dos
seus conhecimentos científico para as questões sociais, sendo tarefa básica
separar objetos de outros tantos objetos, classifica-los direcionando-os para
um fim proveitoso.
No caso da Educação Física,
um fim social, preparar ou tornar, construir um corpo forte robusto capaz de
resistir as doenças e aguentar as duras jornadas de trabalho, e, isso só
poderia ser feito através de conhecimento científico, surge a ginástica científica.
Essa ginástica científica
adentrou o contexto escolar tinha como base as ciências biológicas, ela depois
de teorizada foi pedagogizada para saúde, moral e civismo, sendo que por
influencia externas ela desenvolveu uma pedagogia para o esporte, dentro do
contexto escolar, mas depois retoma seus princípios educacionais.
Nesse contexto surge o
intelectual da Educação Física que ao contrario dos seus antecessores a
direciona para questões além das biológicas; isso acontece por que esse novo
personagem da Educação Física obter conhecimentos das ciências humanas sociais
e política, que o instrumentaliza para construir teorias educacionais da
Educação Física diversificadas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chega-se ao final desse estudo
depois de um longo dialogo com diversos autores tendo como ponto de partida, o
dito por DAOLIO, onde se verificou que a Educação Física iniciou a construção
do seu corpo teórico dos conhecimentos advindos de outras áreas, mas isso não é
demérito para ela, viu-se que o ato de sistematizar foi absorvido da
administração científica que por sua vez iniciou-se no advento da revolução
industrial.
Demonstrou-se a escolha de uma
linha de pensamento onde muitos dos textos elaborados e selecionado foi para
responder perguntas pré estabelecidas e cumprir os objetivos propostos ,
apropriou-se dos ensinamentos de Triviños onde entende-se a natureza de cada
objeto inclusive a sistematização e a sistematização da Educação Física, e com
esse entendimento pode-se saber identificar vários objetos com que a Educação Física
se relacionou, a saber, com: a economia, a educação, a política, a sociedade e
tantos outros.
Buscou-se estabelecer
significados para a sistematização bem como definição e conceitos retirados do
dicionário da língua portuguesa e dos estudos de Fumagalll onde pode-se
perceber os conceitos de sistematização utilizado pelos autores que
contribuíram com o entendimento da sistematização da Educação Física.
Identificou-se e demonstrou-se o contexto
histórico sociais em que os processos de sistematização da Educação Física
foram forjado, compreendendo as duas grande revoluções: Industrial e francesa
bem como o avanço científico que promoveram as primeiras formas de explicar o
trato com o corpo, surgindo assim a ginástica científica.
Viu-se que na Europa os
métodos ginásticos tinham como fundamentação teórica as ciências biológicas, e
que sua finalidade era de caráter higiênico e eugênico, eram para estabelecer a
ordem disciplina e saúde do povo, com uma diferenciação da Inglaterra que criou
o esporte moderno. Soube-se que estes métodos ginásticos também chamados de
escolas ginásticas foram transmitidos para outros países, e o Brasil foi um
desses.
Mas a adoção dos métodos
ginásticos só se deu após a chegada da família real portuguesa em 1808, quando
foi instituído todo corpo administrativo do Brasil. Fato esse, que foi importante
para a sistematização da Educação Física, e que só prevaleceu inicialmente o
método francês, alemão e dinamarquês com a adoção do método francês como ginástica oficial do país. A finalidade desses métodos por ter fundamentação biológica
destinava-se ao adestramento físico.
Com a criação da instrução
publica a Educação Física passou a fazer parte do contexto escolar como
disciplina curricular, mas seu caráter eminentemente pratico sofreu duras
criticas de todo tipo e natureza, o termo sistematizar que era utilizado para
teorizar as atividades físicas foi substituído por Pedadogização. Sendo que
Enezil Pena Marinho elenca toda a sistematização da Educação Física
predominante das décadas de 50 e 60 no Brasil, e já nesta obra aparecem
assuntos que serão bem debatidos nas décadas que se segue até hoje.
Assim a teorização da Educação
Física fundamentada nas ciências biológicas predominou do século XIX até meados
do século XX, tendo um abandono definitivo devido as inúmeras e constantes
criticas sofridas, caracterizando uma crise de identidade abordada por Vitor de
Oliveira Marinho.
A partir daí alguns autores
aceitando essa suposta crise da identidade, tentam desenvolver uma
fundamentação teórica baseados em ciências sociais e humanas para a Educação Física,
criando assim mais duas formas de explicar o trato com o corpo: a
psicopedagogização e a outra de cunho essencialmente política, assim tem-se
três fundamentações para se teorizar a Educação Física com implicações bem
distintas. Mais tardes essas tendências se desdobram em inúmeras discussões que
deram origem a diversas explicações sobre a Pedadogização do movimento.
Pode-se considerar que os assuntos
colocados se desvincularam e muito da abordagem biológica, que demonstrava as propriedades
e finalidades especificas da Educação Física, respeitando sua realidade
objetiva, bem como sua prova existencial e o seu caráter histórico.
Essas discussões deram origem as teorias
da educação aplicadas a Educação Física que segundo Celi Taffarel são: promoção
da saúde/aptidão física, construtivista, critica a teoria critica emancipatória,
critica da critica: a perspectiva da cultura corporal e teoria da pedagógica da Educação Física e
formação de professores. Todas com respectivos representantes onde faz
necessário relaciona-los:
O seguinte: 01. (Micheli Ortega Escobar); Critica
a perspectiva da Promoção
da saúde/aptidão física. 02.. Eduardo
Jorge Souza da {Silva};Critica. A “teoria: ‘construtivista”. { 03. (Welington Araújo);
Critica a teoria Critica emancipatória 04. . . (Elza Peixoto e Maria de
Fatima)Critica da critica: A perspectiva da cultura corporal; 05. (Claudio
!Lira) Teoria pedagógica da Educação Física e formação de professores.
Embora no ambiente da Educação Física se tenha
um entendimento de que houve um avanço nas discussões que saiu do chamado
reducionismo biológico para uma ampliação, elevando-a ao uma definição de
cultura, discutiu-se ainda, se a Educação Física era uma ciência e qual o seu
campo acadêmico onde se apreciou nesse tratado as explicações de Valter Brachet.
E desse assunto vale apenas frisar:
se a Educação Física não é ciência, ela é o que? O que, e quem é que define? E todos
os outros saberes que são chamados de ciência cumprem as exigências para
afirmarem como tal? Ou qual dessas suposta ciências é genuinamente pura?
Neste caminho percorrido até aqui,
foram deixado de fora maiores explicações sobre a teoria da ciência da
motricidade humana desenvolvida pelo português Manuel Sergio bem como a
sistematização feita pelo coletivo de autores, onde se faz propicio extrair
dessas duas fontes algumas contribuições considerada enriquecedoras. De Manuel
Sergio extrai-se a tentativa de trocar o nome de Educação Física para Ciência
da Motricidade Humana bem como fornecer todo um corpo de doutrina onde poderia
caracterizar definitivamente a Educação Física como Ciência Acadêmica.
E do coletivo de autores: a sua
organização dos conteúdos da Educação Física por ciclos com seu caráter
pedagógico, tendo como base as questões políticas sociais, onde pode-se fazer
um comparativo entre a sistematização biológica efetivada por Enezil e a
sistematização de natureza escolar.
Então se percebeu que o grande intrincado de assuntos, em que a sistematização da Educação Física como área de
conhecimento no século XX no Brasil esta
envolvida, traz a tona, um iceberg de problemas, também de difícil entendimento
e explicação, mas, que isso pode ser desvendado, podendo ser este o ponto de partida
para estudo posteriores.
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